Uma das coisas mais corriqueiras da vida é sentirmo-nos atraídos sexualmente por outras pessoas. A excitação sexual – o tesão e suas variações – é tão importante em nossas relações sociais que, com frequência, é um fator decisivo na escolha de quem resolvemos nos aproximar. Por exemplo, muitos grupos de amigos se formam, às vezes ainda na escola, a partir de uma orientação sexual comum (o grupo de quem gosta de meninas, o grupo de quem gosta de meninos). O tesão também faz parte das escolhas afetivo-amorosas e românticas. Pense você que, em grande parte das culturas contemporâneas, as pessoas decidem se casar (e ter filhos, e formar família, e dividir finanças, e planejar futuro) justamente com pessoas por quem se sentem atraídas. 

Entretanto, mesmo com o avanço dos discursos sobre a diversidade sexual e de gênero, sinto que as discussões sobre atração sexual agarram em alguns pontos que limitam o pensamento sobre a sexualidade e também as vivências dos sujeitos. Por isso, resolvi escrever este pequeno ensaio, pois acredito que compartilhar essas ideias possa criar uma abertura para o estabelecimento de relações mais múltiplas com a sexualidade.

Já adianto que os insights aos quais me refiro partem, sobretudo, de observações verificáveis no nosso dia a dia. Portanto, não estou aqui especulando a partir de hipóteses a serem comprovadas, mas apenas organizando, em outros recortes lógicos, comportamentos sexuais existentes e muito comuns – como pretendo demonstrar a partir de exemplos ordinários. Já a escolha pelo termo inclinações sexuais é uma maneira de partir do termo orientação sexual em direção a uma discussão mais abrangente, em que outros fatores (para além do gênero e do sexo biológico) sejam também considerados.

Um: desejamos traços

Vou partir de um lugar bem normativo para entrarmos neste primeiro insight. Imaginemos um homem exclusivamente heterossexual. Vamos batizá-lo de Carlos. O fato óbvio dessa premissa é que Carlos deseja mulheres.

Porém, também nos interessa o fato de que ele não deseja mulheres. Como assim? Bem, se você perguntar ao Carlos se ele deseja toda e qualquer mulher existente neste planeta, ele – com certeza – chegará a conclusão de que não. Vai ser possível para ele, sem muitos esforços, elencar um rol de mulheres que não o atraem (inclusive que podem repeli-lo). Provavelmente serão levadas em conta características físicas (não gosto de magras, nem de loiras, nem de baixinhas); comportamentais (não me atraem as tímidas, nem as que falam alto, nem as estudiosas); sociais (não me interessam as pobres, nem as famosas); morais (não quero crentes, nem casadas); relacionais (nem pensar em minhas irmãs, filhas e mãe). 

Então, para o Carlos, o que faz uma mulher ser atraente? Quais mulheres, na imensa multidão delas, têm o poder de despertar seu tesão? Quem faz “o tipo” dele? 

A partir desse “nem todas as mulheres”, podemos entender que o gênero é um fator muito importante, mas ele não decide sozinho sobre a inclinação sexual do Carlos. É um conjunto de traços que faz com que ele se sinta atraído por mulheres específicas, sejam elas poucas ou muitas. 

Ressalto que estou usando o termo traço na tentativa de explicitar algo que é ainda mais simples e anterior a uma característica. Algo que pode nem mesmo ser notado conscientemente, pode até mesmo ser efêmero. 

É claro que, como psicanalista, trago aqui o papel do inconsciente na leitura desses traços. Muitas vezes, nosso tesão é movido por traços que nem percebemos que são tão relevantes. Por exemplo, no caso do Carlos, ele pode se sentir atraído por traços como: ela tem uma bunda parecida com a da menina por quem fui apaixonado na adolescência, ela tem uma voz rouca, o nariz dela parece o do meu pai, ela pesa mais do que eu, ela é desejada pelos meus amigos, o nome dela começa com a letra L, ela não se dá bem com outras mulheres, ela parece ter muita experiência na cama, ela odeia injustiças. Tudo isso – e muito mais – pode compor a atração que ele sente.

Quase qualquer coisa pode ser um traço. Por isso, nosso desejo sexual é tão complexo. Imagine que o Carlos, que gosta muito de mulheres com bundas grandes, se pegue em um dilema: “Veja aquela mulher, que bunda linda! Eu gosto tanto de bundas como aquela, por que não me sinto atraído por ela?” Bem, talvez haja um traço que o repele fortemente, mas não tão facilmente identificável. Ou o contrário: “Nossa, segundo meus critérios, essa mulher não é uma mulher atraente, mas, mesmo assim, sinto tesão nela! Que estranho!” Será que é tão estranho assim? Talvez todos nós já tenhamos nos surpreendido com a especificidade das nossas inclinações sexuais. Não só com as nossas, mas com as de nossos colegas. Quantas vezes não entramos em discussões sobre o “gosto” de nossos amigos, falando sobre pessoas conhecidas ou sobre celebridades. “Jura que você sente tesão nessa pessoa? Impossível para mim.”

Vou voltar um pouquinho para a quinta série (ou para as redes sociais) e fazer uma brincadeira com o nosso amigo: “Carlos, você prefere chupar o pau do seu melhor amigo ou comer sua mãe?”. Se essa fosse uma questão de vestibular, a resposta lógica seria que Carlos prefere comer sua mãe, pois ele é heterossexual, e homens heterossexuais preferem transar com mulheres. Porém, esse exemplo mostra que a “orientação sexual” não é tão preto no branco como muitas pessoas gostam de pensar. Talvez o Carlos prefira chupar o pau do seu amigo a ter que comer sua mãe (eu apostaria que muitos homens heterossexuais iriam nessa direção – não todos). Na vida real, inclusive, muitos homens heterossexuais prefeririam transar com outros homens com traços que lhe agradam a transar com mulheres com traços que os repelem, mas isso aí esbarra em outros tabus, incluindo o principal deles: “Meu deus, se eu sentir atração por um homem, meu mundo vai acabar, etc.” (os leitores incluam aqui os medos e preconceitos da sociedade heterocisnormativa).

Antes de passar a outro exemplo, acho importante acrescentar que desejar um traço é também um acontecimento cultural. Podemos ver isso claramente quando elegemos coletivamente quem são as pessoas desejáveis, como os atores de cinema, atletas com corpos potentes, artistas com talentos proeminentes, e por aí vai. Não à toa, as pessoas comuns buscam reproduzir os traços dessas celebridades desejáveis, na tentativa de serem atraentes também. Nesse sentido, podemos ver como aquilo que convencionamos chamar de “padrões de beleza” é também um arranjo de traços, que mudam com o tempo e com a geografia. O mais desejado homem da corte de Luís XIV, ou o galã de cinema da década de 1930, pode não ser tão desejável em 2025; ou pode acontecer de a Miss Brasil ser considerada comum nas Filipinas, ou feia na Jamaica. Faço essa colocação apenas para demarcar que os traços que nos atraem portam esse paradoxo: ainda que sejam um arranjo muito específico – único, eu diria –, eles são influenciados pelo contexto simbólico em que vivemos. 

Vamos dar um passo agora em direção ao que temos chamado de sexualidades dissidentes. Esse passo é muito importante, pois as experiências humanas que estão inscritas fora da norma nos ensinam a partir de um ponto fundamental: elas existem. Não importa onde, quando, por que motivo, com que frequência, em quais percentuais. Elas existem e, se existem, fazem parte da nossa humanidade – e esse raciocínio é fundamental para a compreensão de todo esse ensaio.

Nosso próximo exemplo é a Olívia, que é uma mulher lésbica. A Olívia acabou se envolvendo em uma discussão com as amigas, que disseram que ela só se interessa por mulheres muito “femininas”, o que seria a manifestação de um preconceito internalizado, já que ela mesma é uma mulher com expressões de gênero “masculinizadas”. Por situação parecida passa o Maurício, que, no seu perfil do aplicativo de namoro/sexo, aponta que não se interessa por homens “afeminados”. Os amigos de Maurício, que é um homem bem “masculino”, também o condenam, pois sua preferência denota, entre outras coisas, uma tendência cultural de desvalorização do feminino em prol de uma exaltação do masculino, postura que reproduz pensamentos machistas e misóginos.

Esses dois exemplos são simplificações de discussões recentes entre a população LGBTQUIAPN2S+, mostrando que a tendência à normatização do comportamento sexual atinge também o campo das sexualidades dissidentes. O ponto mais importante para pensarmos é: não há nada de errado com as inclinações sexuais de Olívia e Maurício. Eles podem desejar e não desejar qualquer pessoa, de qualquer jeito, por qualquer traço, inclusive “masculinidades” e “feminilidades”. Acho que já estamos em um grau muito avançado sobre o nosso saber sexual para sequer cogitarmos que alguém “deseje errado”. 

As expressões de gênero têm sido, há milênios, um fator muito importante na escolha de parceiros sexuais e afetivos. O que é considerado masculino, feminino ou andrógino faz parte da atração sexual de maneira muito contumaz, ainda que não determine totalmente as inclinações de uma pessoa (como vimos no exemplo do Carlos). Buscar, em um outro alguém, algo dessas características não deve ser tomado como um problema. Se pensássemos dessa forma enviesada, poderíamos então acusar equivocadamente os homens homossexuais e as mulheres heterossexuais de serem misóginos, por desconsiderar as mulheres (ou até mesmo a feminilidade) de sua atração sexual.

Mas então os amigos de Olívia e Maurício estão doidos? Sendo pessoas tão versadas em discussões sobre as questões de gênero e sexualidade, por que estão fazendo um apontamento tão avesso à liberdade do desejo? Bem, os amigos de Olívia e Maurício partem de premissas muito reais e que têm muito a ver com o nosso assunto dos traços. Muitas vezes, por convenções sociais, ou por preconceitos morais, ou por outra qualquer razão que seja, restringimos as nossas inclinações sexuais sem nem mesmo nos darmos conta. Com frequência, até mesmo o hábito (e talvez o sucesso do hábito) faz com que essas restrições se acentuem. Por exemplo, lá na adolescência, a Olívia descobriu que sentia uma forte excitação por mulheres “femininas” (não todas). E, como foi se satisfazendo com interações sexuais com parceiras neste perfil, não se sentiu estimulada a expandir suas fantasias. Se ela está satisfeita assim, bom pra ela. 

Vamos pensar em outra direção com o Maurício, que, depois das discussões com os amigos, ficou reflexivo sobre as questões levantadas, e decidiu se engajar em algumas pegações com homens “afeminados”, e acabou descobrindo que, por alguns deles (não todos), sente tesão. Bom pra ele que, agora, tem mais possibilidades de transar com parceiros mais diversos. A experiência também poderia ter sido malsucedida, e Maurício ter acentuado sua certeza de que a “masculinidade” é um traço essencial para se interessar sexualmente por um homem. Tomara que, de qualquer modo, o Maurício aproveite suas transas.

Antes do nosso último exemplo, peço licença para uma breve opinião (que já adianta o terceiro insight deste ensaio): eu tendo a achar que alguns dos traços que consideramos impeditivos para um envolvimento sexual têm mesmo a ver com ideias pré-concebidas sobre nós mesmos e sobre nossas relações com os outros corpos. Muitas vezes, a experiência nos mostra que algo que considerávamos repulsivo pode se transformar em objeto de nosso interesse e prazer. Penso também que, com o passar do tempo, tendemos a ampliar as nossas inclinações sexuais, principalmente se não assumirmos uma postura moral muito castradora. Na verdade, mesmo para quem faz muita questão de se manter alinhado com suas experiências primárias – ou com parâmetros normativos, ou com suas crenças morais –, é muito difícil escapar das infiltrações das fantasias sexuais, que tendem a nos colocar diante do desejo de interagir sexualmente com outros seres humanos de maneira mais larga.

Para encerrar essa série de exemplos, vamos ouvir a Ohana, que é uma travesti. A Ohana sabe com clareza uma coisa: há milhares de indivíduos (homens, em sua grande maioria) que se sentem atraídos pelo “feminino” e também desejam transar com alguém que tenha um pênis. Se pensarmos na questão dos traços, é tão fácil entender isso. Aliás, se tem um combo que se arranja com muita naturalidade na “cultura masculina” contemporânea é querer uma mulher e um outro pau (seja de maneira objetiva, ou subjetiva). Se, contudo, ficarmos presos a estereótipos de sexo biológico, gênero e sexualidade, essa concepção pode esbarrar em centenas de poréns. Assim como as travestis, as pessoas transexuais, intersexuais, ou não-binárias nos ensinam que há muitas possibilidades de arranjos dos nossos corpos e vontades, e que nem a biologia nem a cultura são empecilhos suficientes para as experimentações dos nossos desejos.

Imagine que você tenha que pintar um quadro e, na loja de tintas, há apenas duas cores e, além disso, uma advertência: não misturá-las. Olha, dá até pra fazer uma obra bacana com duas cores, nenhum artista duvidaria disso. Mas pense que, na loja vizinha, há mais de mil cores diferentes e, melhor ainda, elas podem ser misturadas à vontade. Com certeza, esta segunda loja é um destino mais proveitoso, até mesmo porque nela você pode, inclusive, escolher apenas duas cores e sequer misturá-las. Esse experimento mental da loja de tintas parece meio óbvio, mas, apesar de acessível, ele não é tão assimilável como pode parecer, afinal, vivemos em um tempo em que fundamentalismos e purismos estão aí aos montes, colonizando, destruindo e matando. Possibilidades e liberdades assustam, e isso vale para todos nós (até para quem se diz progressista). É preciso mesmo um pouco de coragem para misturar as cores que existem e, mais além, para deixarmos que outras cores nunca vistas sejam imaginadas – por nós e por outros.

Os traços são as cores. E, se levarmos isso em conta, todos nós – incluindo o Carlos, a Olívia, o Maurício e a Ohana – estamos em algum lugar do arco-íris.

Este primeiro insight (desejamos traços) é, sobretudo, um movimento de expansão do olhar e das ideias. Quando o assunto é inclinação sexual, ficarmos presos a (poucas) categorias, normas e convenções é um atraso de vida. Pessoal e político. Por isso esse entendimento é tão potente – e vai servir de base para os próximos insights: porque ele torna a vida mais possível, mais rica, mais colorida.

Dois: os desejos dos outros importam

Antes de entrarmos neste insight propriamente dito, convido meu leitores a borrar um pouco a fronteira entre o que é sexual e o que é afetivo. Até porque, ainda que seja muito fácil pensar na esfera afetiva sem pensar em sexo, é quase impossível pensar em sexo desligado da esfera afetiva (por favor, considerem aqui a nossa vasta gama de sentimentos: alegria, ódio, tristeza, amor, tédio, ternura, medo, solidão, raiva, etc.). Aliás, fica aí a pergunta: existe alguma esfera da nossa vida desligada dos afetos?

Passemos então ao nosso segundo insight, já por meio de um exemplo. O Vicente é um rapaz que gosta de transar com mulheres e se considera, da perspectiva da orientação sexual, um homem heterossexual. Porém, o Vicente ama ser desejado pelos seus amigos homens (ainda que não perceba isso claramente). Quando está com a autoestima abalada, especialmente quando se sente feio, Vicente tem uma tendência a buscar mais contato com seus amigos gays, que costumam mais facilmente sentir tesão por ele. Além disso, ele também fica muito satisfeito de saber que seus amigos heterossexuais avaliam seu corpo como um corpo desejável, ou consideram que ele seja um “bom partido”. Um momento sexual importante da vida de Vicente (ocasião em que se sente muito excitado) é quando outros homens prestam atenção nele, principalmente se ele está “arrumado para sair”, ou se está com o corpo mais à mostra, como quando está de sunga ou trocando de roupa. Vicente não se considera bissexual, nem homossexual, pois quando pensa em transar, sua fantasia nunca inclui outros homens.

Baseando-se nesse relato sobre Vicente, você diria que os homens estão excluídos da vida sexual e do desejo dele? Se você é uma pessoa homossexual (homem ou mulher), você com certeza conhece vários Vicentes (e Vicentinas), o que costuma causar bastante confusão. 

Mas o saber que podemos extrair desses casos é esse: por quem queremos ser desejados faz parte da nossa sexualidade. Aproveito para voltar ao nosso primeiro insight e destacar a importância dos traços para analisar o caso de Vicente. Se nos forçarmos a pensar em uma orientação sexual para ele, esse “detalhe” de sua relação com os homens pode ser ignorado para encaixá-lo na heterossexualidade. Por outro lado, se desconsiderarmos a maneira como o próprio Vicente se percebe e se declara, podemos encaixá-lo na bissexualidade. Contudo, se pensarmos na miríade de traços que compõem a sexualidade e as inclinações sexuais de Vicente, não precisamos encaixá-lo em lugar nenhum; podemos apenas apreciar a especificidade de sua relação com o próprio desejo e com os desejos alheios.  

O caso da Inês é parecido com o do Vicente. A Inês é uma mulher de 30 anos, e tem uma coisa que a deixa muito animada: ser desejada por homens mais novos que ela. Às vezes, quando está em uma festa, basta ser abordada por um rapaz mais novo que Inês já considera a noite um sucesso. Porém, as amigas de Inês já perderam a conta de quantos rapazes Inês dispensou – depois de longas conversas e muito flerte – por considerá-los novinhos demais. A realidade é que Inês sempre se interessa e se apaixona por homens mais velhos que ela, desde a escola. No entanto, ser desejada por rapazes mais novos a excita e faz com que ela se sinta potente. Certa vez, uma colega comentou com Inês que o irmão adolescente morria de tesão nela. Naquela ocasião, Inês passou o dia todo ansiosa para transar com o namorado (nada adolescente), pois estava muito excitada desde o comentário da amiga.

Já a Vitória está casada há 17 anos e não teve muitos parceiros sexuais antes do casamento. Então, quando se masturba, ela costuma pensar em outros homens. Às vezes, pensa em um colega da época da escola, às vezes no chefe, às vezes em um homem que viu naquele dia, um desconhecido qualquer. Porém, Vitória odeia saber que um homem está com tesão nela. Já até aconteceu de, em um churrasco, se sentir muito excitada com a presença do colega de um primo; ele, ao notar o interesse de Vitória, fez uma investida em direção a ela, mostrando também sua inclinação. Isso bastou para que Vitória brochasse na mesma hora.

Assim como no caso do Vicente, os casos de Inês e de Vitória nos revelam que podemos não sentir tesão em uma pessoa, mas podemos desejar que ela se sinta atraída por nós; e vice-versa. Também é importante pensarmos que, às vezes, o desejo do outro pode ser justamente o traço que nos atrai ou que nos repele. É isso também o que podemos ver nos casos a seguir, do Ernesto e da Raquel.

O Ernesto tem um “tipo” favorito de homem: aquele que “todo mundo” acha gostoso. O que deixa o Ernesto excitado é saber que ele está transando com um cara que todos os seus amigos (e desconhecidos) desejam. Todos os ex-namorados de Ernesto eram homens cobiçados, explicitamente louvados pelos colegas. Ernesto constantemente entra em conflito com os amigos, uma vez que “rouba” os paqueras dos outros, pois, assim que vê um amigo muito interessado por um rapaz, sente que o tal rapaz começa a lhe despertar desejos muito intensos.

Já a Raquel vive sendo alertada pelas amigas sobre seus relacionamentos pouco saudáveis. Elas a exortam sobre sua “mania” de sempre querer homens que não estão interessados nela. De paixões platônicas a namoros abusivos, Raquel já se viu em muitas situações de angústia e sofrimento. Contudo, ela mesma percebeu uma coisa: se um homem demonstra interesse sexual por ela, ela logo perde o interesse nele (mesmo se já estivesse interessada antes). Para Raquel, motivo de excitação máxima é tentar seduzir um homem que ela sabe que não gosta dela, ou que está em dúvida, ou que não vai com a cara dela, ou um ex-namorado que não quer saber mais dela, ou mesmo um cara que não se sente atraído por mulheres. As amigas recomendaram uma terapia (eu também recomendo!), pois o nível de frustração de Raquel já ultrapassa há muito seu bem-estar. 

Os exemplos de Ernesto e Raquel são bem conhecidos, e ninguém precisa ir muito longe para encontrar casos parecidos, né? Em ambos, vemos que o desejo do outro importa, seja para atrair ou para repelir.

A essa altura, você já deve ter notado que tenho optado por elencar exemplos com traços mais visíveis e facilmente correlacionáveis, mas aproveito para lembrar aos meus leitores que os traços podem ser muito sutis, elementos de difícil percepção e até de descrição. Minha opção pelo mais óbvio é apenas para tornar mais evidentes e verificáveis os apontamentos feitos, mas conto com sua imaginação para avançar nesse terreno das sutilezas.

Acho que uma outra maneira de vermos esse insight de maneira patente é quando estamos muito apaixonados. Mesmo que, na nossa vida ordinária, nosso tesão seja acionado por uma gama muito vasta de pessoas, às vezes, quando nos enamoramos de alguém, voltamos todas as nossas fantasias sexuais para aquela pessoa. No modo apaixonado, mesmo quando pessoas que nos interessaram no passado se aproximam de nós, sentimos que nossa inclinação não vai mais naquela direção, pois está completamente alienada pela paixão em uma pessoa específica. Podemos até ficar incomodados com a abordagem de outras pessoas, como se aquilo não fizesse o menor sentido.

Decerto, quando entendemos essas nuances, fica também muito fácil pensarmos não apenas em por quem queremos ser ou não desejados, mas também em como queremos ser desejados. Por exemplo, muitos adolescentes sentem tesão por uma pessoa, mas não querem transar com ela; querem apenas beijar. Outra situação que muitos de nós já experimentamos é ficar excitado pela excitação sexual de outras pessoas, como quando você passa a se interessar por alguém justamente porque ficou sabendo que aquela pessoa sente atração por você; ou quando você fica excitado ouvindo seu vizinho (que você nem conhece, nem nunca viu) transando com a namorada. 

Outro raciocínio importante dentro desse contexto do “como” é considerar a distância entre as inclinações sexuais na fantasia e na realidade. Por exemplo, uma pessoa pode se sentir muito excitada vendo vídeos de orgia, mas não desejar transar com mais de um parceiro. Ou frequentemente se masturbar com fantasias que incluem violência e dor, mas ficar completamente brochada ao menor sinal desses elementos em uma transa real (mas esse assunto é vastíssimo e merece um outro ensaio). 

Em todos os exemplos e situações trabalhados nesta seção, fica claro que o desejo do outro importa, e importa de diversas maneiras, seja na eleição dos “objetos” de desejo, seja na maneira “como” se é desejado. 

Talvez seja digno de nota que, em algum momento, a notação deste insight era “o tesão do outro importa” – o que já vimos que é mesmo um fator muito relevante. Todavia, optei por uma notação mais abrangente, pois os desejos (de outras pessoas) que não têm caráter sexual também interferem nas nossas inclinações. Por exemplo, podemos nos sentir atraídos por alguém que deseje ardentemente ser um bom profissional, ou podemos ficar completamente brochados por alguém que queira a reinstalação de uma ditadura militar. 

Volto agora ao início desta seção, quando pedi aos meus leitores que borrassem um pouco a fronteira entre o que é sexual e o que é afetivo. Tenho esperanças que, depois de refletirmos sobre esse insight, tenha ficado inclusive muito óbvio que misturar esses “campos” é quase um imperativo. 

Vamos trabalhar com dois últimos casos, só para que esse terreno fique bem arado para as sementes do próximo insight.

A Odete precisa se sentir segura para ter tesão em alguém. Essa segurança se manifesta de vários modos: precisa se sentir amada, precisa saber que não corre o risco de pegar doenças ou engravidar, precisa estar em lugares com pessoas em quem confia (por exemplo, nunca se sente excitada em festas ou no carnaval, quando há muitos desconhecidos ao redor). Isso vale não apenas para a prática em si, mas até para os seus devaneios. Quando está imaginando a próxima transa com o namorado, Odete evoca lugares em que se sente segura e inclui, nas imagens que projeta dentro de si, o namorado lhe fazendo elogios carinhosos e usando camisinha.

Já o Queiroz odeia a sensação de segurança e familiaridade. Isso atrapalha o seu tesão. Gosta de transar em lugares públicos, com parceiras ou parceiros desconhecidos, ou com pessoas com quem “não deveria” (por conta de restrições morais ou relacionais). Em vários de seus relacionamentos, Queiroz se viu na difícil situação de perceber que o momento em que sentia que o amor e a confiança se estabeleciam era coincidente com a perda da vontade de transar com aquela pessoa. O desejo sexual para Queiroz está no lugar da aventura, do mistério, da novidade. Por exemplo, o traço “risco” é muito mais importante para Queiroz do que algum traço relativo ao “gênero”, de modo que uma situação social que apresente possibilidades de perdas traz excitação para Queiroz independentemente se a pessoa em questão é um homem ou uma mulher.

Tanto para Odete como para Queiroz, o sentimento de segurança (que está diretamente ligado ao medo) desempenha um papel importante na inclinação sexual – nas fantasias e na prática. Isso nos aponta para o fato de que, dentro da lógica deste ensaio, as emoções e os afetos são também traços. E as relações que estabelecemos com os nossos sentimentos e com os sentimentos dos outros podem compor de maneira decisiva as nossas inclinações sexuais. 

Este é um bom momento para recapitularmos nossos dois primeiros insights (desejamos traços / os desejos dos outros importam) e nos lembrarmos que eles estão entrelaçados um no outro; e também inerentemente articulados ao nosso terceiro insight.

Três: o que queremos muda

Esse insight parece óbvio por um motivo: ele é óbvio. E, é claro, não se aplica apenas às nossas inclinações sexuais. Todos já experimentamos nossos quereres mudarem ao longo de nossas vidas. Nosso principal querer pode ser um brinquedo aos 5 anos, uma namorada aos 15, um emprego aos 25, uma viagem aos 35, e por aí vai. 

A parte importante deste insight é sua aplicação à nossa noção de inclinações sexuais, apoiada na ideia de traços. Além disso, este terceiro insight é também fundamental porque ele faz frente a uma tendência do nosso funcionamento psíquico, que é o de sintetizar, de resumir, de definir. Ele vai contra a ideia de que temos que estabelecer uma identidade imutável, previsível, coerente – um senso de personalidade. Então, contra essas reduções, contemos com mais um de nossos “casos”.

O Umberto, em sua pré-puberdade, teve suas primeiras fantasias sexuais masturbatórias com meninas, especificamente com uma colega da escola. Na adolescência, sentia tesão por garotas, mas passou a querer com mais intensidade os garotos. Depois, na vida adulta, entendeu-se como um homem gay e passou a transar e a se relacionar romanticamente com homens, exclusivamente. Quando já tinha por volta dos 55 anos, Umberto voltou a ficar com mulheres ocasionalmente, ainda que não fantasiasse com esse tipo de transa ao se masturbar. Mas sentia que ficava excitado quando dançava forró com as mulheres do clube que frequentava, e isso era o suficiente para movê-lo em direção a uma interação sexual.

A primeira namorada de Elisa tinha um estilo parecido com o dela: meio gótico, meio punk. As meninas por quem ela se interessava na adolescência pertenciam a esse mesmo grupo estético. Anos depois, já na faculdade, Elisa até ria com as amigas a respeito dessa preferência, pois agora ela não consegue nem pensar em se relacionar com outra mulher dentro desse código de gostos e comportamentos – ainda que ela mesma, segundo as amigas, preserve muitos desses traços em seu jeito.

Em 20 anos de vida sexual, Ayrton sempre fez a linha “amante apaixonado”. Gosta de transar devagar, de beijar muito, de ser carinhoso e sensual. Recentemente, contudo, conheceu a Rebeca, que gosta de uma transa mais agitada, com tapas, palavrões e deboches. O Ayrton acabou gostando desse jeito de transar e agora sente que pode aproveitar as oportunidades de transar dos dois jeitos. A Rebeca, por sua vez, que não gostava nem de pensar em chupar um pau quando era mais nova, agora sente enorme prazer em engolir a porra de seus parceiros.

A Dani foi perdendo o tesão em chupar buceta. O Eduardo começou a fantasiar com sexo anal. O Fábio agora só quer ver pornô com mulheres ruivas. O Arthur riu de um filme com cenas de sadomasoquismo, mas agora dorme e sonha – várias vezes – que a mulher o amarra na cama em que eles dormem. O Samuel está ficando com tesão no seu melhor amigo de infância, mas só quando eles estão voltando de carro do futebol. A Cristina não sente mais tesão no namorado. A Ísis resolveu ser ativa. O Nícolas está fissurado em transar depois de fumar maconha. A Aline não quer mais dar o cu para homens que têm o pau muito grosso. O Vinícius tem ficado muito excitado quando viaja sozinho. O Igor não consegue mais ter tesão em quem ganha menos dinheiro do que ele. A Nadir achou que não iria mais transar depois que ficou viúva, mas trinta anos depois da morte do marido conheceu o Geraldo, que, por sorte, tem se sentido atraído por mulheres que conversam sobre música e cinema. O Agenor não sente mais tesão em ninguém, pelo menos por enquanto.

Acho que deu para entender, né? Nós mudamos. A nossa relação com o mundo, com as ideias, com o nosso próprio corpo, tudo isso muda constantemente. E, como nossas inclinações sexuais são reflexos de nossas experiências como seres viventes, elas mudam também. Isso vai desde as mudanças mais simples, como “agora prefiro transar pela manhã”, até cenários mais complexos, como “agora não quero transar mais com uma mulher, pois fantasio ser penetrade por diversos homens ao mesmo tempo”. 

As circunstâncias – até mesmo as mais efêmeras – têm efeito sobre nossa vontade de fazer sexo. Nosso corpo sabe disso muito bem. Por exemplo, muitas pessoas podem recusar uma transa com seu crush favorito se estiverem completamente letárgicas após dois pratos de feijoada e algumas doses de caipirinha. Mesmo muito apaixonado, talvez você não queira transar com sua parceira no auge de uma infecção de dengue. 

Por outro lado, muitas vezes o nosso próprio corpo nos convoca à excitação sexual, mesmo sem uma situação de apelo sensual, como pelo trepidar do ônibus, ou uma roupa que roça nos órgãos genitais, ou o vento, ou uma coceira mal/bem localizada. Esses convites do nosso corpo podem engendrar desejos momentâneos e, por vezes, abrir inclusive espaço para novas fantasias. Além disso, é sempre válido lembrar que portamos um corpo que costuma responder às nossas variações hormonais – por exemplo, nenhuma cultura humana despreza o poder da ovulação sobre a libido.

Dois “conceitos” que também nos ajudam a ver a influência das circunstâncias nas inclinações sexuais são o “bi de festinha” e os “high sexuals”. O primeiro refere-se a pessoas que, quando estão bêbadas e alegres nas festas, decidem sair de suas práticas exclusivamente hetero/homossexuais para experimentar interações com parceiros do gênero com o qual não estão habituados. O segundo termo faz referência às pessoas que, quando usam drogas, ampliam o rol de traços que as inclina sexualmente em direção aos outros.

Esse terceiro insight culmina quando o combinamos com os dois primeiros. Se há tantos traços que compõem as nossas inclinações sexuais; e se há tantos outros desejos que interferem nos nossos; e se os traços e a nossa percepção sobre eles mudam; e se os desejos dos outros mudam também; isso resulta no fato de que os nossos desejos e nossas inclinações sexuais não são estáticas. 

O que queremos está em constante mudança. Algumas coisas mudam em questão de minutos. Outras, mudam após décadas. Algumas mudanças são movidas por questões muito íntimas. Outras, pelo contato com os outros seres. Transpondo essa lógica para nossa reflexão sobre inclinações sexuais, isso evidencia uma coisa que todos nós já experimentamos: nosso tesão pode mudar em segundos; nosso tesão pode mudar a qualquer momento da vida; nosso tesão sempre está em construção.

Sobre onde estamos: o reino das possibilidades

Espero que, neste percurso de pensar sobre as inclinações sexuais, tenhamos chegado até aqui com mais possibilidades de fantasiar e de transar. Penso que esse ensaio tem um objetivo implícito que é granjear um pouco mais de liberdade e de autonomia para se viver o desejo – e talvez isso seja tão importante para mim pois essa expansão de horizontes está no âmago de meus principais ofícios (o de contador de histórias, o de professor, o de psicanalista).

Contudo, como pensar e expandir nossas compreensões sobre a sexualidade costuma ser um campo de batalha nas esferas individuais e coletivas, gostaria de fazer ainda um adendo sobre essa coisa tão intrigante e incomensurável que é o que nós chamamos de possibilidades.

Uma possibilidade não é uma obrigação. Às vezes, uma das coisas que mais nos aflige na liberdade é que ela convoca escolhas. Há, portanto, essa tendência de, por vezes, escolhermos lugares mais limitados, com menos possibilidades. E isso é uma condição humana perfeitamente razoável. Entrar em contato com possibilidades mais largas para os desejos, incluindo os de natureza sexual, não significa ser compelido a vivenciar todas as fantasias. Talvez, saber mais sobre os desejos (nossos e alheios) implique inclusive em renunciar a grande parte deles.

Mais importante ainda é pensarmos que as pessoas se relacionam com suas inclinações sexuais de maneira muito diversa, principalmente nas temporalidades. As nossas descobertas íntimas – que frequentemente incluem os nossos desejos – se dão de maneira única, não-linear, e nos surpreendem ao longo de toda nossa vida. Se você parou de descobrir novidades sobre si mesmo, é só porque parou de se observar. Ninguém se conhece completamente. Por isso é também tão importante respeitar o tempo e o lugar do outro.

Estou fazendo esse apontamento para que esses insights não sejam pretexto para um policiamento sobre as inclinações sexuais alheias, como se todos tivessem a obrigação de pensar a si mesmos nos recortes propostos aqui, que são específicos e arbitrários – como quase todos os olhares que inventamos na nossa cultura.

Eu, particularmente, sempre gostei de pensar que as inclinações sexuais não vivenciadas, os tesões contidos, as tentações resistidas, também têm sua beleza. Do celibato religioso ao atleta que se contém às vésperas da grande competição, passando pelas fidelidades conjugais ou pelos relacionamentos à distância, a maneira como as pessoas entrelaçam seus princípios religiosos, suas normas morais e seus objetivos pessoais com suas práticas sexuais é um assunto de vastas proporções (inclusive políticas).

Aproveito essa ressalva para voltar ao assunto das psicoterapias. Se você é uma pessoa que tem uma vida sexual mais livre, talvez você entenda vários dos exemplos que foram apresentados aqui como inibições a serem tratadas. Eu, como psicanalista, concordo que muitos dos traços que compõem – e limitam – as nossas inclinações são frutos de inibições psíquicas e/ou preconceitos culturais. Mas isso não transforma essas inibições em patologias. Até porque já aprendemos, com muito sofrimento, que taxar desejos e comportamentos sexuais como doenças é um erro. Mais do que isso, é um equívoco desastroso para os indivíduos e para a sociedade, pois gera sofrimento, discriminação e morte. Fica para cada sujeito a responsabilidade de entender se suas fantasias e suas inibições, bem como os conflitos que trava com elas, são passíveis de tratamentos, sejam eles quais forem.

Ainda no esteio das ressalvas, adianto que uma ideia que pode maturar a partir da reflexão sobre esses insights é a de que as inclinações sexuais e, portanto, as orientações sexuais, podem ser mudadas. Essa noção nos coloca diante da perversa ideia de uma “cura gay”. No entanto, acredito que há uma distinção importante a ser feita, e vou fazê-la a partir de minhas experiências pessoais, ou seja, estou falando novamente aqui de observações empíricas.

Sobre inibir ou sublimar desejos sexuais, vejo que o resultado é quase sempre desastroso. Obrigar alguém a não desejar algo que já se deseja é infrutífero. Mesmo que aquele desejo nunca tenha se realizado, que tenha sido somente alimentado na imaginação, tentar negá-lo ou escondê-lo é muito dificultoso, pois as fantasias também geram satisfação, e não é fácil abrir mão de algo que nos satisfaz. Contudo, por causa de minha vivência em ambientes religiosos onde a homossexualidade era condenada, vi vários rapazes e moças explorarem uma bissexualidade adormecida a fim de se casarem em relações heterossexuais. Pessoas para quem a ideia de explorar os traços e o desejo de um outro catalisaram novas inclinações sexuais. Isso não quer dizer que deixaram de ter desejos homossexuais, mas que passaram a desejar mais largamente, o que, dentro de suas percepções morais, era mais condizente com suas ideias de realização e satisfação pessoal. 

Dito isso, para que essa ponderação não seja confundida com um endosso à prática de “conversão sexual”, reitero minha já conhecida posição, que é: se algum grupo social (religioso, cultural, institucional) condena o seu desejo sexual, pergunte-se se este é o lugar onde você quer estar. Provavelmente, essa condenação é fruto de ignorância e preconceitos.

Sei que, para muitos leitores, muito do conteúdo deste texto é meio evidente e já faz inclusive parte de suas práticas e conversas. O meu desejo é que essa abertura para se pensar a própria vida sexual se torne também mais óbvia para tantos outros, para quem sei que esses insights podem ser libertadores. Meu desejo é que, daqui a alguns anos, a grande maioria dos leitores avaliem esse ensaio como tão básico que chega a ser dispensável, pois o aprendizado que ele oferece já se deu de maneira espontânea, nos dias, nas trocas. Será sonhar muito?

Para terminar, faço um convite a quem chegou até aqui: multiplique os exemplos. Quando comecei a escrever este ensaio, julguei que trabalhar com casos inventados (dando nome aos personagens) seria uma boa forma de tornar mais palpável as ideias que eu queria transmitir. Todavia, é inevitável, quando trabalhamos com exemplos, perceber que eles são sempre limitados, que são apenas grãos, gotas. Então meu convite é que, a partir desses que apresentei aqui, vocês imaginem outros, percebam outros, sejam outros.

 voltar para TEXTOS DIVERSOS